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IST Distinguished Lecture – José M. F. Moura

“Uma história que se tece detetando dados em discos rígidos” 

 A nossa vida digital gera e consome grandes quantidades de dados. Tomamos como garantido gravar e ler com fiabilidade esses dados em unidades de disco rígido cada vez mais minúsculas. A fiabilidade é importante para que tenhamos confiança que lemos amanhã exatamente os mesmos dados que gravámos ontem. Mas gravar mais e mais em menos, é um desafio. No início dos anos 90, fiz parte de uma equipe da Carnegie Mellon University (CMU) que, com o apoio da US National Science Foundation (NSF), definiu como meta desenvolver em dez anos um disco rígido que aumentava em duas ordens de grandeza (um fator de 100) a densidade de gravação magnética–o que significa que, no mesmo volume, poderíamos armazenar 100 vezes mais dados. A mim coube-me criar o detetor, ou seja, o artefacto que leria com precisão os bits gravados em domínios magnéticos cada vez menores. Este tornou-se o objetivo da tese de doutoramento do meu então aluno Alek Kavcic. Em 1997, a CMU registou no US Patent Office (UPTO) uma patente provisória do detetor Kavcic-Moura. No início dos anos 2000, o USPTO emitiu à CMU duas patentes sobre esta tecnologia. Descreverei, no contexto histórico da indústria de disco rígidos nos princípios dos anos 90, o desafio de recuperar com precisão os bits gravados em discos rígidos de grande densidade, como formulámos então o problema, e qual a solução “ótima” e simplificações práticas encontradas. Por si só, isto interessaria o especialista. Mas há mais nesta saga de 25 anos. Explicarei em linhas gerais as principais ilações que retiro das interações várias com a indústria e com a CMU, dos principais passos em sete anos de litígio em tribunais federais dos EUA, do maior veredicto em tecnologias da informação (cerca de US $ 1,5 bilião (milhar de milhões), e finalmente, em 2016, do acordo de US $ 750 milhões entre a CMU e um fabricante de chips, também ele o maior acordo de todos os tempos no domínio da propriedade intelectual em tecnologias da informação. Em 2016, 2,23 biliões de chips em mais de 60% dos computadores vendidos em todo o mundo incorporaram o nosso detetor. Hoje, estima-se que esse número esteja bem acima de 4 biliões.


Moderador: José M. N. Leitão, professor catedrático jubilado (IST/DEEC; IT).


Localização: Pavilhão de Engenharia Civil – GA do Centro de Congressos, piso -1.